A blog about Software Engineering and other stuff not related to programming
Segundo Valin (2025), as habilidades fundamentais que fazem parte do campo da cognição humana, como a memória, atenção, raciocínio lógico, pensamento crítico e a criatividade, podem ser vítimas do sedentarismo cognitivo.
Ainda segundo Valin (2025), estudos revelam que o uso da inteligência artificial na realização de tarefas tem o ganho de produtividade como resultado imediato, mas a dependência desse tipo de tecnologia, no longo prazo, traz impactos negativos para as habilidades relacionadas à cognição humana.
Com todas as evidências da possibilidade de chegar a um quadro de sedentarismo cognitivo por conta da dependência de inteligência artificial generativa, com a constante exposição diária a esse tipo de tecnologia no desenvolvimento das atividades laborais e depois de observar desconfiadamente sinais iniciais de declínio, decidi trazer para minha rotina um conjunto de hábitos de autocuidado e desenvolvimento pessoal focados em exercitar habilidades cognitivas com frequência diária.
O ensaio como modalidade de texto é amplamente conhecido no meio acadêmico. Ele tem como objetivo apresentar as ideias e opiniões do autor a respeito de um tema, mas sem a necessidade de esgotá-lo.
O rigor da academia exige começar por um trabalho exaustivo de pesquisa bibliográfica. Assim, o autor estará municiado de evidências e contexto sobre o assunto a respeito do qual a sua opinião será apresentada.
Atrai-me o impacto do processo de escrita de um ensaio, que exige o exercício das habilidades cognitivas e, consequentemente, deságua no fortalecimento e desenvolvimento intelectual.
Outro fator motivante é a importância que a habilidade de comunicação vem ganhando no contexto da área da engenharia de software, tendo a rotina de trabalho cada vez menos composta por sessões em que o isolamento do mundo externo é empregado na escrita de código, e agora cada vez mais dominada por sessões de discussões sobre planejamento, escrita de documentação, desenho de arquitetura de sistemas e fluxos. Atividades altamente potencializadas pelo fator comunicação, ou seja, pela capacidade de expressar ideias. Também, à medida que se evolui na carreira, o fator político ganha uma certa relevância. O sucesso tem como base a capacidade de se comunicar bem, e o hábito da escrita a fortalece.
Mirando em manter as minhas habilidades cognitivas exercitadas e em uso constante, decidi aplicar na minha rotina a escrita de ensaios pessoais. A ideia é aplicar o gênero de escrita acadêmica no âmbito pessoal, escolher um tema de meu interesse e imprimir as minhas reflexões sobre qualquer assunto, mas sem o rigor acadêmico e científico.
O primeiro passo é a revisão bibliográfica com o objetivo de embasar ou até mesmo mudar a minha opinião sobre o assunto abordado nos artefatos gerados como resultado do processo. Ela, porém, não se limita à fase de pré-escrita: também é aplicada durante a escrita, quando me encontrar não seguro das afirmações proferidas.
Em seguida, deve-se usar como base o contexto absorvido combinado com o repertório pessoal para produzir um ensaio sobre o assunto em questão.
O uso de LLMs (ChatGPT, Gemini e outros) no processo de escrita dos ensaios deve ser limitado a zero. Aqui buscamos um espaço seguro e sem pressa para praticar e exercitar a habilidade de se comunicar e expressar ideias por meio da escrita.
A rotina será enriquecida com sessões diárias de foco pleno no processo criativo de escrita e revisão do que for produzido. E aqui se farão valer as palavras de Graciliano Ramos sobre o processo:
“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.
Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."
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Isenção de responsabilidade: Não possuo nenhuma credencial de analista de investimento. O conteúdo dessa página não se trata de sugestão de estratégia de investimento. Não me responsabilizo pelas consequências de colocar o conteúdo a seguir em prática.
O mercado costuma alocar o capital investido baseando-se em expectativas para o futuro, isso significa dizer que possíveis eventos já se encontram precificados pelo mercado.
Com o resultado do primeiro turno das eleições para presidência sinalizando a possibilidade de eleição do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Ibovespa reagiu com uma alta de 7,70% já na segunda-feira pós-primeiro turno.
Com a expectativa de um próximo presidente mais alinhado aos caprichos do mercado, que salivam por ajustes nas contas públicas (política de austeridade), a percepção de risco dos títulos de dívida pública caiu, levando os investidores a aceitar um prêmio de risco menor ao emprestar dinheiro para o governo. O que também se traduz em uma expectativa de crédito mais barato para as empresas, que colhem redução na taxa de crescimento das dívidas. Menos dívidas para pagar resultam em lucros maiores.
Na maioria das vezes, alta no Ibovespa anda junto com a queda do dólar. O real se valoriza com a demanda por troca (venda) do dólar por real para investir no Brasil.
A alta da bolsa é um convite para todos investirem aqui no Brasil, ninguém quer ficar de fora da festa. Com os holofotes apontados com toda a força para uma área específica, torna-se difícil enxergar a existência de oportunidades com maior potencial de retorno nos arredores da zona de foco principal.
A estratégia do contrafluxo se aproveita dessas oportunidades nos momentos de euforia e entusiasmo. Utilizando como exemplo o cenário atual, o dólar é um ativo de proteção e diversificação de boa qualidade que nesse momento está mais barato e mais acessível para investidores brasileiros.
Mas não queremos ficar sempre evitando o que está se valorizando em cada momento. O ideal é sempre buscar comprar ativos de qualidade no momento em que eles estiverem baratos e desvalorizados. A palavra qualidade é muito importante. Uma vez que o investidor monta a sua carteira com uma lista dos ativos com ótimos fundamentos (qualidade) divididos em categorias, e também definindo metas de percentual de alocação para cada categoria, ele pode simplesmente seguir rebalanceando a carteira através de novos aportes.
O investidor, que não pode ser confundido com especulador, já tem a sua carteira curada com ativos de qualidade, sejam ações do mercado brasileiro ou ETFs internacionais visando diversificação. Vamos deixar a classe de ativos de renda fixa de fora para simplificar o exemplo.
Considerando o cenário onde definimos como meta investir 50% no Brasil e a outra metade em ETFs internacionais (dólar), antes do resultado do primeiro turno, a carteira se encontrava perfeitamente balanceada, com R$ 100 mil em ações brasileiras e mais R$ 100 mil equivalentes em dólares investidos internacionalmente, também considerando uma descorrelação perfeita entre dólar e real. Após o resultado do primeiro turno e com a valorização repentina da bolsa brasileira junto com a desvalorização do dólar, a carteira passa a ficar desbalanceada. Agora temos R$ 107 mil (7% de valorização) em ações brasileiras e R$ 93 mil em dólares (7% de desvalorização). Como resultado, temos 53,5% no Brasil e 46,5% no mercado internacional totalizando 100% do patrimônio investido.
Aplicando o contrafluxo, os novos aportes devem ser direcionados ao mercado internacional até que voltemos a ter 50% (R$ 107 mil) no Brasil e 50% (valor em dólar equivalente aos R$ 107 mil) lá fora. Dessa forma você reduz o custo médio de aquisição do dólar. Numa futura valorização, o crescimento do valor investido é potencializado pelo preço descontado no momento da compra. Quando a carteira se desbalancear novamente no sentido contrário, basta direcionar os novos aportes para os ativos de qualidade no Brasil. E assim no longo prazo, ciclo após ciclo de rebalanceamento, o patrimônio investido cresce.
Vale mencionar que nem sempre o movimento entre o dólar e o real é inverso, pode acontecer de os dois se valorizarem ao mesmo tempo.
Não é produtivo investir reagindo a notícias e boatos sobre o futuro, o especulador compra quando tudo está caro e vende no pânico quando tudo perde valor. Aplique a estratégia do contrafluxo em ativos de qualidade e acabará sempre comprando ativos bem fundamentados com o melhor desconto independente do resultado das eleições no domingo.
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O principal motivo de ter escolhido a profissão dentro da área de desenvolvimento de software foi a baixa barreira de entrada: eram necessários apenas um computador, acesso à internet e muito tempo livre para estudar e colocar em prática desenvolvendo projetos pessoais até chamar a atenção das pessoas recrutadoras, eventualmente conseguindo uma vaga de emprego na área.
Comparando com outras profissões com uma maior barreira de entrada como a biomedicina, por exemplo, é necessário acesso a um laboratório e a equipamentos de preços proibitivos. Observei na tecnologia um grande potencial que exigia algo que não é barato, mas eu tinha de sobra: tempo para me dedicar a estudar e validar o que aprendia, na prática.
Até pouco tempo atrás, apenas o esforço e experiência de uma ou mais pessoas eram necessários para produzir um produto de software com qualidade semelhante ou até melhor que os produtos gerados por grandes empresas, sem a barreira de entrada financeira de um investimento inicial. Enxerguei a profissão perfeita para me proporcionar possibilidade de começar do zero quantas vezes fosse necessário, afinal só precisava de tempo livre e força de vontade para ser capaz de gerar valor recomeçando o ciclo de chamar a atenção de recrutadores quantas vezes fosse preciso.
Mas o cenário mudou, recentemente com o novo padrão que está se estabelecendo na área de desenvolvimento de software no qual o uso de LLMs (Large Language Models) capazes de escrever código de qualidade a partir de instruções não mais em uma linguagem específica para programação, mas sim na mesma linguagem que usamos para comunicação entre humanos. A barreira de entrada é imposta quando entendemos que as LLMs estão cada vez mais superando a capacidade humana de escrever código de qualidade. Isso eleva o padrão do mercado, e agora o esforço necessário para produzir um código com mesmo nível de qualidade e com a mesma velocidade que as empresas grandes conseguem, não é mais possível apenas com a sua força de vontade, tempo livre e um computador com acesso à internet. Agora é necessário acesso a uma boa LLM. Apesar de hoje já conseguirmos rodar LLMs de forma local, nada se compara à performance obtida pelos modelos fechados e comercializados, além da infraestrutura necessária para rodar uma LLM localmente.
Não me oponho ao uso de LLMs no desenvolvimento de software, já as utilizo no meu dia a dia de forma produtiva. Não me importo em reduzir o contato direto com o código, foi a porta de entrada no início da minha carreira, hoje isso assume um papel secundário e o foco se torna o pensamento estratégico aplicado à definição da arquitetura dos sistemas mantendo a qualidade e a capacidade de extensão para atender a novos casos de uso.
Mas proponho a reflexão para um plano B no caso em que as ferramentas para geração de código passem a ter um acesso mais restritivo favorecendo apenas quem possui maior poder aquisitivo, provocando uma financeirização da produtividade.
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